13 de dezembro de 2016

RESENHA | A Casa do Mal — Dean Koontz

Título: A Casa do Mal
Título Original: The Bad Place
Autor: Dean Koontz 
Editora: Record
Páginas: 413
Lançamento: 1990

Sinopse:

Frank Pollard desperta em uma vila, sem lembrar-se de nada além de seu nome. Mas ele sabe perfeitamente que está correndo enorme perigo. Refugia-se num hotel e, mais de uma vez, acorda com as mãos manchadas de sangue. E, a casa noite que passa, encontra nas mãos e nos bolsos estranhos objetos aterrorizantes... A ajuda a Frank vem da dupla de detetives Bobby e Julie Dakota, que, por compaixão e curiosidade, concordam em ir até o fundo e desvendar essas misteriosas e amnésicas fugas. Mas, à medida que os Dakota começaram a descobrir para onde se dirige o seu cliente, eles são atraídos a reinos sombrios, onde uma sinistra figura...

Opinião:
“Mas ele ainda estava sendo atacado: uma luz azul cintilante, no máximo de um segundo de duração, iluminou o carro; em toda a sua extensão; o para-brisa estilhaçou-se em milhares de fragmentos, embora não tivesse sido atingido por nada que ele pudesse ver. Frank desviou o rosto e cerrou os olhos bem a tempo de evitar ser cegado pela explosão de estilhaços. Por um instante, não conseguia ver nada, mas ele não afrouxou o pé do acelerador, preferindo o risco de colisão ao maior risco maior de frear e dar ao inimigo invisível tempo para alcançá-lo. [...]” — Pág. 16
Dean Koontz talvez seja a minha melhor descoberta do ano! Há muito tempo eu tenho visto seu nome por aí, mesmo que praticamente oculto em alguns comentários e indicações... e fui procurar saber mais sobre ele. Descobri que lá fora ele é um autor de suspense e terror de grande prestígio e muita gente compara sua obra à do mestre Stephen King.

Um dos mais citados e talvez o mais famoso e raro livro do autor (pelo menos aqui no Brasil) é “A Casa do Mal”, que foi lançado bem no início dos anos 90, e que, infelizmente, é uma obra quase impossível de ser encontrada. Esse ano, enquanto procurava um livro aleatório numa empoeirada estante de uma biblioteca pública, eu o encontrei, levei para casa, li e... nossa!

As primeiras páginas já nos colocam num cenário de tensão: Frank Pollard acorda num beco escuro, confuso, e não lembra de nada, nem mesmo de seu nome, mas tem a estranha sensação que algo o persegue e que se ele não sair dali, ele não vai durar muito tempo. Ele então começa a fugir, mas fugir do que? De um mal invisível que o persegue, algo que ele não vê, mas sente e não faz ideia do que possa ser.

Logo no início, também conhecemos o casal de detetives Bobby e Julie, donos da empresa Dakota & Dakota, que presta consultoria de segurança a outras empresas e instituições particulares. Eles formam uma ótima dupla, são carismáticos e possuem uma relação bastante amistosa que é evidente em cada trecho em que eles aparecem. Abaixo uma fala de Julie:
“— Agora, não me interprete mal. Você tem um traseiro bonito, Bobby, mas não quero a marca dele no tampo da minha mesa. Os lápis vão ficar rolando sempre para aquela depressão. O pó vai se acumular ali.” — Pág. 129
O autor é um mestre em criar e desenvolver personagens, além desses três que são amplamente desdobrados durante a narrativa, temos Thomas, irmão de Julie, que possui Síndrome de Down e vive numa clínica (o autor trata do tema com carinho e respeito e mostra as dificuldades e até mesmo os pensamentos dele e de outros personagens com doenças mentais que também vivem na clínica) e temos o vilão, o assassino sobrenatural conhecido como Candy, que é insanamente perverso, um psicopata que idolatra a mãe morta, que tem asco de sua nudez, que é violento, louco, sem escrúpulos... ele é do mal! Vive na casa da família com suas duas irmãs gêmeas, Violet e Verbina, e mais 26 gatos. Essas peculiaridades me chamaram muito a atenção no decorrer do livro e certamente, vão chamar a de vocês.
“Muita gente achava que assassinato era um pecado. Ele discordava. Algumas pessoas nasciam com gosto pra sangue, Deus os fizera como eram e esperava que matassem determinadas vítimas. Tudo fazia parte de Seu misterioso plano.” — Pág. 56
Lendo esse título, muitos podem pensar que o livro traz uma história sobre uma casa assombrada, como “Amityville”, “Hell House” e outras histórias com esse plano de fundo. Porém, "a casa do mal" retratada nesse livro é uma metáfora, um simbolismo que aos poucos vamos interpretando. Ao longo da narrativa vamos percebendo a psicologia nas entrelinhas, quando temas, condições e situações vão sendo retratadas.
“[...] O inferno era um lugar ruim, mas a morte era a Casa do Mal. A Morte era uma palavra que não se podia imaginar. A Morte significava que tudo parava, ia embora, todo o seu tempo se esgotava, terminava, findava. Como se poderia imaginar isso? Uma coisa não era real se não se podia imaginá-la. [...]” — Pág. 141
“A Casa do Mal” é um livro com diferentes nuances, tem boas doses de suspense investigativo, terror psicológico e sobrenatural, fantasia e ficção científica. Ou seja, vai te agradar de uma forma ou de outra. O frenesi descritivo de Koontz é outra coisa que conquista os leitores. A narrativa nos absorve para as situações, você entra na pele dos personagens e chega a suar e a ter palpitações a medida que as coisas vão acontecendo.

Mesmo tendo lido apenas esse livro do autor até o momento, já o considero um mestre em criar enredos. A comparação de sua obra e estilo com Stephen King só possui um fundamento: ambos conseguem agarrar o leitor por meio das palavras. No mais, Koontz possui sua própria personalidade literária, seu próprio estilo, que faz dele único no meio e só afirma seu sucesso. Um livro recomendadíssimo que leva 
“Não tinha dificuldade em imaginar-se saindo da caminhonete e sendo imediatamente atingido por uma dúzia de balas, sacudindo-se e contorcendo-se numa dança espasmódica mortal pelo asfalto da rua, como uma marionete quebrada jogada de um lado para o outro em cordas embaralhadas. Mas achou ainda mais fácil imaginar sua pele descascando-se no incêndio, a carne borbulhando e fumegando, o cabelo encrespando-se como uma tocha, os olhos derretendo-se, os dentes tornando-se negros como carvão à medida que as chamas consumiam sua língua e seguiam sua respiração pela garganta em direção aos pulmões.
Às vezes, uma imaginação vívida era uma maldição.” — Pág. 26

4 comentários:

  1. Estou lendo, e, realmente, o livro é incrível!!!

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    1. Olá Barbara!
      Quando termianar a leitura venha me dizer o que achou de tudo. Ansioso por mais algum feedback.

      Abraços

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  2. Dos livros que li do autor, este é meu preferido, e o vilão é aterrorizante de uma maneira única.

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    1. Opa Maurilei,

      Pretendo ler outros livros do autor em breve, este como primeira leitura já me conquistou. Adorei cada personagem criado por ele.

      Abraços

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