31 de março de 2016

RESENHA | A Passagem — Justin Cronin

Título: A Passagem (Trilogia A Passagem #1)
Título Original: The Passage
Autor: Justin Cronin
Editora: Arqueiro
Páginas: 816
Lançamento: 2013
Onde comprar: Buscapé

Sinopse:
“Leia este livro e o mundo como você o conhece desaparecerá.” – Stephen King
Primeiro, o imprevisível: a quebra de segurança em uma instalação secreta do governo norte-americano põe à solta um grupo de condenados à morte usados em um experimento militar. Infectados com um vírus modificado em laboratório que lhes dá incrível força, extraordinária capacidade de regeneração e hipersensibilidade à luz, tiveram os últimos traços de humanidade substituídos por um comportamento animalesco e uma insaciável sede de sangue.

Depois, o inimaginável: ao escurecer, o caos e a carnificina se instalam, e o nascer do dia seguinte revela um país – talvez um planeta – que nunca mais será o mesmo. A cada noite, a população humana se reduz e cresce o número de pessoas contaminadas pelo vírus assustador. Tudo o que resta aos poucos sobreviventes é uma longa luta em uma paisagem marcada pelo medo da escuridão, da morte e de algo ainda pior.

Enquanto a humanidade se torna presa do predador criado por ela mesma, o agente Brad Wolgast, do FBI, tenta proteger Amy, uma órfã de 6 anos e a única criança usada no malfadado experimento que deu início ao apocalipse. Mas, para Amy, esse é apenas o começo de uma longa jornada – através de décadas e milhares de quilômetros – até o lugar e o tempo em que deverá pôr fim ao que jamais deveria ter começado.

A passagem é um suspense implacável, uma alegoria da luta humana diante de uma catástrofe sem precedentes. Da destruição da sociedade que conhecemos aos esforços de reconstruí-la na nova ordem que se instaura, do confronto entre o bem e o mal ao questionamento interno de cada personagem, pessoas comuns são levadas a feitos extraordinários, enfrentando seus maiores medos em um mundo que recende a morte.

Opinião:

Quem são essas criaturas mortais que deram fim a humanidade? Eles eram homens como quaisquer outros, porém da pior espécie, eles eram criminosos, estupradores, assassinos, eram pessoas sem volta, que já estavam no corredor da morte, e que não fariam falta a ninguém caso desaparecessem da face da Terra. Então o exército norte-americano decide dar uma chance a eles: ‘sua morte está revogada, vocês só precisarão continuar presos e ser cobaias de um experimento científico que promete ser revolucionário e, se tudo der certo, vocês serão imortais e terão uma força descomunal. Ahh... e vocês não tem escolha! ’ Foi praticamente essa a situação.
“Mas não havia morrido, apenas dormira, mas não sabia por quanto tempo. Sua mente vagara por um período, indo de um tipo de escuridão a outro, como se ele estivesse andando por uma casa sem luz e, sem nada para ver, não tivesse como se orientar. Não sabia distinguir o que estava embaixo do que estava em cima. Seu corpo todo doía, e a língua parecia uma meia embolada dentro da boca, como se um estranho animal peludo estivesse entocado ali. A região da nuca na altura dos ombros latejava de dor. Levantou a cabeça para olhar em volta, mas tudo o que pôde ver foram pequenos pontos de luz – luzes vermelhas, como a da caneta. Não sabia a que distância estavam nem o tamanho delas. Para ele, poderiam ser luzes de uma cidade distante.” — Pág. 157
Tem início o experimento, tudo perfeito, grandes avanços estão acontecendo, o vírus modificado é promissor..., mas uma hora a situação fica fora de controle, e não há quem possa deter as abomináveis criaturas, eles conseguem escapar e dão início ao terrível massacre. Eles são seres da noite e se alimentam de sangue, o que são? Sim, vampiros. Mas não são como os vampiros criados recentemente, eles têm as características básicas de um, mas são monstros terríveis e sanguinários que destroem e matam tudo o que veem pela frente. O fim da humanidade é só uma questão de tempo. A Terra nunca voltará a ser a mesma.
“O viral havia se afastado do último boi e estava se pondo de pé – era todo luz pulsante, olhos, garras e dentes. O rosto liso, o pescoço longo e o peito enorme estavam cobertos de sangue. O corpo parecia inchado como o de um carrapato. Tinha pelo menos três metros, talvez mais. Com um movimento rápido da cabeça, os olhos da criatura encontraram [...]: o viral jogou o pescoço para o lado, o corpo se retesando enquanto mirava, preparando-se para pular, e então saltou. Pareceu atravessar o ar entre eles com a velocidade do pensamento, invisível como uma bala, chegando de repente aonde [...] estava parado, impotente. [...]” — Pág. 635
Paralelamente, conhecemos a história de Amy Harper Bellafonte, uma menina de seis anos que teve uma infância conturbada e oscilante ao lado de sua mãe, que mais tarde a abandona num convento. O governo fica sabendo da existência da garota sem família e retiram Amy dos cuidados das Irmãs para que ela seja a 13ª cobaia do experimento. O que acontece depois disso? Para descobrir, você terá que abocanhar as mais de 800 páginas e sentir na boca o sabor de cada gota de sangue derramado por elas.
“Eu ainda estava na ponte acima do trem quando as pessoas começaram a pular em cima dele. Todo mundo gritava. Os soldados atiravam nelas, como se tivessem recebido ordens de atirar em qualquer coisa, não importando o que fosse. Olhei para baixo e vi os corpos empilhados, que nem troncos em uma fogueira, e sangue por toda parte, tanto sangue que parecia que o mundo inteiro tinha se derramado.” — Pág. 280
A história se inicia nas primeiras décadas do século XXI e ao final do primeiro livro da trilogia, já estamos há quase 100 anos do prelúdio do apocalipse viral. A Passagem é uma odisseia apocalíptica ambientada no novo milênio. Uma trama que repagina e cria uma nova vertente da ficção científica e do conceito que temos de vampiros.
“Ferrugem, corrosão, vento, chuva. Mordidas de camundongos, acidez das fezes de insetos, a voracidade dos anos que passavam. A guerra da natureza contra as máquinas, das forças do planeta contra as obras do homem. O poder que a humanidade havia extraído da Terra seria inexoravelmente pego de volta, sugado como água por um ralo. Em pouco tempo, se já não houvesse acontecido, não restaria sequer um poste de alta-tensão de pé.
A humanidade tinha construído um mundo que demoraria cem anos para morrer. Um século até que as últimas luzes se apagassem.” — Pág. 332
Justin Cronin têm uma habilidade monstruosa de contar histórias, ele desenvolve cada personagem com afinco, o cenário é tão bem descrito que beira o cinematográfico. Porém, em algumas partes da história o autor se enredava a escrever capítulos enormes sobre o que os personagens estavam sonhando ou pensando e eu tinha vontade de pular aquela parte para ir logo ao que interessava. O livro também é um pouco extenso, sem muitos diálogos e possui uma carga enorme de informações que podem ser facilmente perdidas se você for um pouco distraído.
No mais, o livro é altamente recomendado para quem gosta de se aventurar num mundo devastado, repleto de medo e morte. Eu quero muito ler os dois próximos livros da trilogia: “Os Doze” já foi lançado no Brasil em 2013 e o terceiro livro “A Cidade dos Espelhos” deve chegar ainda esse ano nas livrarias.
   
Avalio o primeiro livro da trilogia A Passagem, em 
BookTrailer (em inglês):
 






2 comentários:

  1. Uma coisa é fato: pelo que pude ler, daria um puta filme - ou série!
    Faz muito tempo que quero ler esse livro, mas sempre adiei e até agora nada. Mas pretendo ler ainda esse ano, juro HAHAHAHA
    Preciso nem falar que amo esse tipo de história e tô bem curiosa pra conhecer os vampiros de Justin Cronin <3
    No mais, excelente resenha, como sempre!
    Beijos!

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    Respostas
    1. Oooh, muito obrigado Gabi!
      Na orelha do livro consta informações que o livro já teve os direitos comprados pela FOX para publicação, mas pesquisei e não tem nenhuma notícia recente. Acredito que eles estão esperando o Justin lançar o último livro para começar a produzir filmes ou série. Eu voto por série, pq enquanto eu li, imaginei um The Walking Dead de vampiros. hehe e tem muito personagem e história, dá pra várias temporadas.
      Bjs

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