31 de outubro de 2015

RESENHA | A Noite dos Mortos-Vivos & A Volta dos Mortos-Vivos — John Russo


Título Original: Undead: Night of the Living Dead & Return of the Living Dead
Autor: John Russo
Editora:
DarkSide
Páginas: 320
Lançamento:
2014
Onde comprar:
Brochura | Limited Edition

Sinopse:


A DarkSide desenterra mais um clássico do terror e vai direto na fonte: A Noite dos Mortos-Vivos, considerado uma das maiores obras-primas do gênero e um livro obrigatório para os fãs de The Walking Dead, Resident Evil, Orgulho e Preconceito Zumbi e tudo aquilo que englobe os carismáticos comedores de cérebros.

Se hoje os zumbis estão em alta é porque, em 1968, George Romero e John Russo se reuniram para escrever o roteiro de A Noite dos Mortos-Vivos e mudar a história do cinema. O filme revolucionou o mito sobre as criaturas que voltavam do além: as superstições vodus das velhas produções B deram lugar à epidemia de fome canibal nas ruas norte-americanas. Criaturas similares já haviam aparecido antes nas telonas, mas foi em A Noite dos Mortos-Vivos a primeira vez em que foram retratados como uma praga devoradora de carne humana. O próprio John Russo (que também atua no clássico de 1968 como um zumbi) adaptou a história do filme neste romance que a DarkSide traz para o Brasil.

A Noite dos Mortos-Vivos inclui ainda uma surpresa para os leitores: o texto integral da sequência do clássico, que nunca chegou a ser filmada, chamada de A Volta dos Mortos-Vivos (não vai confundir com a comédia trash de 1985, que também contou com Russo no time de roteiristas). Depois de 45 anos, finalmente é publicado no Brasil o romance do filme que marcou gerações.
"Sempre nos referimos a A Noite dos Mortos-Vivos como o Cálice Sagrado dos filmes de zumbi" — Greg Nicotero, maquiador da série The Walking Dead.
 Opinião:

Mortos-vivos... Quem nunca assistiu um filme ou mesmo só ouviu falar? Essas criaturas estão no cinema, na TV e até mesmo na mente paranoica de algumas pessoas que acreditam que o fim do mundo está próximo. Mais se engana quem acha que isso é uma coisa nova, que começou com a série de TV The Walking Dead ou outro filme modinha de hoje em dia. George Romero e John Russo já em 1968 se uniram para escrever o roteiro de A Noite dos Mortos-vivos, um filme que iria mudar a forma como algumas pessoas viam os zumbis; na realidade, eles apresentaram os zumbis ao mundo como são conhecidos hoje.

Depois de um tempo, John acabou romanceado o roteiro do filme A Noite dos Mortos-vivos e também a possível continuação A Volta dos Mortos-vivos (rodeiro que ainda é inédito ), essas duas histórias foram unidas em uma única edição maravilhosa pela querida Darkside Books, que pode ser comprada na edição capa dura ou na edição brochura. Vamos então falar um pouco do livro:

A primeira parte (A Noite dos Mortos-vivos) se passa basicamente em torno de 7 personagens (Barbara, Ben, Tom, Judy, Harry, Helen e Karen) que estão presos em uma casa rodeada por zumbis. Mas como chegaram ali? O que estão fazendo ali? Essas e muitas outras perguntas serão respondidas no decorrer do livro, mas vou comentar aqui um pouco da história:

Barbara e seu irmão Johnny estão indo a um cemitério visitar o túmulo de seu falecido pai, quando chegam lá já está um pouco escuro devido a Johnny de acordado tarde, e é nesse ambiente sinistro que surge o primeiro zumbi (que por sinal é bem diferente dos que já vi em series e filmes) que ataca loucamente os dois. Ela consegue fugir de carro, só que acaba batendo, tendo que seguir a viagem a pé até encontrar uma casa em uma fazenda no meio do nada. É ai que surge Ben, um dos personagens principais e de vital importância para todos. Ele aparece na fazenda em uma caminhonete em busca de gasolina e ao entrar na casa encontra Bárbara em choque, ele faz algumas perguntas a ela mas não obtém respostas. Nesse momento descobrem que a casa está rodeada de zumbis (ou humanoides, como são chamados) e Ben começa a pregar madeira nas portas e janelas para que os esfomeados mortos-vivos não entrem.
“[..]. Mas quando chegou ao patamar, não pode conter um grito ─ um grito lancinante que explodiu com violência de seus pulmões e ecoou pela velha casa ─, pois ali, no topo da escada, iluminada pela lâmpada nua que pendia do teto do corredor, havia um corpo cuja a carne fora arrancada dos ossos expostos, como se o corpo tivesse sido comido por ratos e depois largado ali, sobre uma poça de sangue seco.”— Pág. 34
Depois de um tempo, quando Ben vai procurar ferramentas e armas, Barbara é surpreendida por dois homens e descobrem cinco pessoas escondidas no porão da casa: Harry (que é um grande covarde), sua esposa Helen, sua filha Karen que está muito doente e pode morrer a qualquer momento se não for tratada, e o casal Tom e Judy. A parir daí começa tudo, o terror, a carnificina, são 154 páginas de pura adrenalina, uma única noite repleta de mortos-vivos que anseiam por carne humana.
“dentro da casa, Ben  fora quase subjugado pelos invasores. Pelo menos vinte ou trinta mortos-vivos tinham conseguido entra na casa, rompendo as barricadas. Ben não tinha mais como resistir e lutar.   ” Pág. 137  
Na segunda parte do livro (A volta dos Mortos-vivos), já se passaram dez anos desde os primeiros ataques zumbis, e começamos com um velório de uma criança na cidade que foi mais afetada pela epidemia. Uma coisa diferente e intrigante nesse velório foi a presença de um homem que chega com uma marreta e uma estaca de madeira próximo ao caixão e os entrega ao pai da criança (essa parte me lembrou muito as ferramentas e o modo de se matar um vampiro).
“Enquanto a maioria dos fiéis observava, o Sr. Dorsey posicionou à estaca sobre a cabeça de sua filha morta e, em seguida, com o som reverberante da madeira se chocando contra o metal, o pai fincou a estaca no crânio dela. ” Pág. 176
Nessa parte da história, uma criança chega aos gritos avisando que um ônibus havia caído em uma colina. Até então eu pensei que as pessoas iriam ajudar os feridos, mas estavam mais preocupados com os mortos do que com os possíveis sobreviventes.

Cara, pensa em uma cena com um ônibus todo destruído, vários corpos mutilados e um grupo religioso recolhendo os mortos e levando para a mata para nada mais nada menos que furar o crânio deles. Foi uma cena bem macabra ao meu ver. Porém (uma pena), o grupo não conseguiu furar o crânio de todos os mortos, pois a polícia chega no local e leva os mortos para o necrotério... não deve ser muito difícil adivinhar o que aconteceu com os corpos que não tiveram o crânio perfurado não é?
“Depois de entrarem no necrotério, empurraram as macas até uma sala grande, fria e estéril, repleta de mesas metálicas cobertas de lençóis, sobre cada uma das quais repousava o corpo de uma vítima do acidente de ônibus. Transportaram os recém-chegados até seus lugares e se viraram para ir embora. Nenhum dos homens notou quando o braço de um dos corpos do desastre de ônibus deslizou para fora do lençol que o encobria parcialmente e caiu, ficando suspenso no ar. Os dedos se contraíram quase imperceptivelmente.”— Pág. 200
Daí em diante o massacre zumbi recomeça, o caos de instala e dessa vez o perigo maior não são os zumbis, mas sim os assassinos, estupradores e ladrões que fugiram das prisões e estão deixando um rastro de sangue por onde passam. Mas para saber os detalhes e todo o desenrolar das histórias, só lendo o livro mesmo.

Uma coisa que deixei de falar, é que as personagens principais dessa trama são três irmãs, Ann, Sue Ellen e Karen. A irmã mais nova está gravida e é a vergonha da família por ser uma mãe solteira. Elas passarão um grande sufoco com um grupo de molestadores e ladrões. Preparem para ver que os piores não são os mortos, mas sim os vivos.

Os zumbis retratados nesses dois livros são diferentes de todos que já vi, por exemplo em The Walking Dead ou Guerra Mundial Z. Por que digo isso? Simples. Eles não são aqueles mortos-vivos que só sabem andar sem rumo e comer carne humana ou animal, eles também sabem usar objetos para atacar suas vítimas ou destruir coisas.

O livro é um máximo, repleto de suspense, massacre e morte, tudo isso e muito mais narrados de uma forma incrível por John Russo, a maneira como foi escrito, com capítulos curtos e uma linguagem fluida, fazem do livro um mar de sangue, que escoa veloz pelas páginas.

6 comentários:

  1. Que resenha instigante! Já quero o livro.
    Ah, e seja bem-vindo com o novo blog!
    Abraço
    Blog do Ben Oliveira

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  2. Ótima resenha de estreia, Junior! Fiquei impressionado com a dedicação que você empenhou para levantar o contexto histórico dos livros. Continuem com o bom trabalho!

    Abraços!

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    1. Obrigado R.S Niz pelo elogio.
      Volte sempre.
      Abraços

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  3. Tenho nojo de morto vivo, mas como se trata de livros, onde não os vejo, acho que conseguiria ler. Mas, mesmo assim, não me empolga muito.


    http://porquelivronuncaenguica.blogspot.com.br/

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    1. O livro tem uma ótima historia e os Zumbis não são muito parecidos com os de hoje em dia, diria que eles são até mais humanos que Zumbis hahahaah

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