31 de maio de 2016

RESENHA | Exorcismo — Thomas B. Allen

Título: Exorcismo
Título Original: Possessed
Autores: Thomas B. Allen
Editora: DarkSide Books
Páginas: 254
Lançamento: 2016
Onde comprar: Buscapé

Sinopse:

Se a ficção consegue ser tão assustadora, imagine o poder contido na história real? Muitos não sabem, mas a obra-prima de W. Peter Blatty, O Exorcista, não se trata de uma invenção. Ela foi inspirada num fenômeno ainda mais sombrio, desses que a ciência não consegue explicar: um exorcismo de verdade.

A história real aconteceu em 1949, e você pode conhecê-la — se tiver coragem! — no livro EXORCISMO, do jornalista Thomas B. Allen, lançamento da DarkSide Books em 2016. Exorcismo narra em detalhes os fatos que aconteceram com Robert Mannheim, um jovem norte-americano de 14 anos que gostava de brincar com sua tábua ouija, presente que ganhou de uma tia que achava ser possível se comunicar com os mortos.

Thomas B. Allen contou com uma santa contribuição para a pesquisa do seu trabalho. Ele teve acesso ao diário de um padre jesuíta que auxiliou o exorcista Bowdern. Como resultado, seu livro é considerado o mais completo relato de um exorcismo pela Igreja Católica desde a Idade Média. Os investigadores paranormais Ed e Lorraine Warren definiram a obra de Thomas B. Allen como “um documento fascinante e imparcial sobre a luta diária entre o bem e o mal”.

Opinião:

POSSESSÃO... DEMÔNIOS... EXORCISMO... São assuntos um tanto antagônicos, ao mesmo tempo que eles despertam a curiosidade e o interesse de uns, eles causam medo e repulsa em outros.

Com o livro “Exorcismo”, Thomas B. Allen traz luz ao tema e nos insere no contexto sombrio e nefasto dos rituais de exorcismo. Nesse livro, conhecemos o caso de Robbie Mannheim, pseudônimo utilizado pelo autor para se referir ao garoto de 14 anos que teria sido possuído por um demônio em 1949, em Maryland nos Estados Unidos. 

Tudo começou com uma brincadeira. Robbie ganhou de sua tia Harriet, uma tabua Ouija. A família, mesmo não vendo com bons olhos, mas já acostumada com as práticas espiritualistas de Harriet, não viu nenhum problema do garoto “jogar com os espíritos”. Porém, coisas estranhas começaram a acontecer na casa, e com o passar dos dias, elas se intensificaram cada vez mais.
“Entraram em todos os cômodos, pararam e prestaram atenção, esforçando-se para encontrar a localização do som persistente e rítmico. [...] Entraram e, enquanto ouviam os pingos ruidosos, viram um Quadro de Cristo começar a chacoalhar, como se alguém estivesse batendo na parede atrás do quadro.” — Pág. 18
Primeiro, o barulho de algo gotejando. Depois vieram sons de arranhões sob as tábuas debaixo de uma cama. Objetos começaram a se mover sozinhos... Parentes, médicos, pastores e padres foram consultados, mas os eventos continuavam a se intensificar. Então, depois de algumas considerações, a família decidiu que a única coisa que poderia resolver a situação do garoto, seria a realização de um ritual de exorcismo.
“A possessão é o cativeiro do mal. Tanto culturas primitivas quanto desenvolvidas de todas as eras acreditam nela. E todas as culturas que acreditavam em possessão encontraram maneiras de aplaca-la. Para os católicos, essa maneira era o ritual do exorcismo. [...]” — Pág. 82
Foram inúmeras tentativas, o ritual se estendeu de janeiro a abril. A cada dia o garoto apresentava novos sintomas: seu corpo mostrava marcas de arranhões que surgiam espontaneamente e, vez ou outra, formavam palavras; sentia dores horríveis; cuspia, urinava e soltava gases aos montes; falava com vozes guturais; dizia coisas medonhas; se tornou agressivo com o tempo; entre muitas outras características bizarras e comumente relacionadas a possessos.
“O possuído girou e agarrou a mãe pela garganta. O tio desligou o veículo, mas o rádio não parou: a estática continuava. A chave pulou da ignição e caiu no chão na frente do banco traseiro. A estática seguiu crepitando.” — Pág. 136
O autor enriqueceu ainda mais sua obra fazendo referência a outros casos de exorcismo já relatados em outras épocas ao redor do mundo, dos relatos bíblicos mais conhecidos a outros casos mais isolados como o ocorrido na França no século XVIII, onde houve uma epidemia de possessões entre freiras em um convento ursulino em Loundun (o caso deu origem ao best-seller de Aldous Huxleu, “Os Demônios de Loundun” que foi publicado em 1952) e outro, ocorrido em 1928 nos EUA, na cidade de Earling, Iowa, onde uma mulher de 40 anos fora supostamente possuída por um demônio que dizia ser Judas Iscariotes.

Após explanar todo o caso e, bebendo de outras fontes como a psiquiatra moderna, Thomas faz algumas considerações acerca dos sintomas do menino Robbie, apresentando outras explicações possíveis para o fenômeno. Possessão ou não, tudo o que foi descrito no livro é fato, ou pelo menos há testemunhas e documentos que comprovam sua ocorrência. O ritual de exorcismo “curou” o garoto? Não há como saber. Mas depois de muito tempo, surtiu efeito e o garoto foi liberto desse mal que lhe acometia.
“Escrevi este livro como um jornalista que tenta contar uma história da maneira mais direta e minuciosa possível. Nunca antes tinha sentido a necessidade de mostrar minhas credenciais dessa maneira. No entanto, queria que meus leitores soubessem que o que eles leram foi escrito por um agnóstico criado como católico, educado por jesuítas e que ainda se pergunta a respeito do significado de spiritus.” — Pág. 253
O Diário do Exorcista, que compõe as últimas 50 páginas do livro me decepcionou um pouco. Ele é a principal fonte de informação utilizada pelo autor e é muito explorado nas páginas anteriores. Seu conteúdo original só serve para reforçar os dados e trazer um ar de realidade, mas não acrescenta nada e sua leitura foi até cansativa se comparada as duzentas páginas anteriores.

A edição da DarkSide está magnífica (o que não é nenhuma novidade). “Exorcismo” é um relato jornalístico, portanto é um livro de não-ficção. Se você espera encontrar um história de terror, lamento te informar, mas esse livro não é o que procura. É uma ótima leitura para quem se interessa no assunto, entretêm, informa e pode ou não dar medo. O livro recebe

6 comentários:

  1. Muito boa a resenha! Parabéns! Quero lê-lo o mais breve possível!

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    1. Muito Obrigado David!
      Não demore para conhecer esse tão tenebroso mundo. hehe
      Abraços

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  2. Ótima resenha. O relato realmente acaba sendo mais uma forma de 'comprovação'.
    Gostei muito do livro. E é bem difícil ler sem pensar em O Exorcista. Tem uma simetria bem clara entre as duas narrativas.
    Abraço

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    1. Obrigado Ben!
      O Exorcista é um ótimo livro, um dos merecem releitura. Agora eu vou ler Os Demônios de Loudun, já até comprei uma edição antiga em um sebo.
      Abraço

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    2. QUERO!
      Me conte depois o que achou. Vai rolar resenha do livro por aqui?
      Esse caso das freiras é interessantíssimo. Tem um filme de terror de exorcismo que explora ele. No momento não consigo me lembrar qual: são tantos.
      Abraço
      Blog do Ben Oliveira

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    3. Vai ter resenha sim Ben!
      Só preciso adiantar as leituras de parceria para ler os tantos meus acumulados. hehe
      Eu não costumava passar em sebos, mas fui em um e encontrei umas raridades bem baratas, daí eu comprei.

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